Incrível como o brasileiro joga dinheiro fora os dias e reclama que sobra mais dias que salário no mês. Tenho um amigo que é coordenador de curso preparatório de concursos públicos e de vez em quando ele me conta alguns absurdos, como o aluno que vai até ele diz que não pode pagar o curso, quer desconto, passa alguns minutos e o aluno exibe o seu iphone novinho pago em suaves 48 prestações “à vista”.
Quem não conhece um vizinho que têm um carro de 4 mil reais, não têm dinheiro para cuidar do carro direito, mas têm dois, três mil reais para investir no som automotivo mais potente que ele pode comprar?; Tem o cidadão que sabe que se andar duas quadras coloca o carro em um estacionamento, e vai pagar talvez dez reais por hora, mas prefere estacionar o carro de forma irregular ou em fila dupla ou em cima da faixa e vai ser multado e rebocado, vai se aborrecer em uma repartição pública lotada do DETRAN e vai gastar perto de seiscentos reais? Ou o pior é aquele que têm o dinheiro para pagar uma conta com desconto, vai passar um pequeno aperto no mês e se livrar da conta de uma vez por todas, mas que prefere pagar a conta parcelado na maior quantidade de parcelas possíveis, para ficar com a diferença no bolso e gastar com coisas não essenciais à vida ou a saúde da família dele preferindo pagar essa mesma dívida acrescido de juros que no final de um tempo ele vai pagar quatro seis vezes o valor inicial da dívida? Sabe qual é a origem disso? Vivemos em uma sociedade de aparências, temos a necessidade de parecer ter o que realmente temos e podemos ser, e que devemos ser amigos de quem parece ser importante, de preferência mais importante do que nós mesmos em termos sociais, por que isso é ensinado às pessoas que elas para serem aceitas na sociedade devem se comportar assim. Tive a oportunidade de viver dois momentos que comprovam tudo o que foi escrito aqui. Certa vez, de férias, estava andando pela rua, com uma roupa bem simples, velha e surrada, barba por fazer a três dias, cabelo desarrumado e encontrei um colega de trabalho, que estava em traje esporte fino, cumprimentei-o falei o seu nome ele simplesmente olhou nos olhos, me ignorou, virou a cara e seguiu o seu caminho. Nesse mesmo dia fui convidado para uma palestra importante à noite de última hora. Aceitei. Fui dar a palestra e usei um bom terno de marca, um bom relógio, barba bem feita com colônia pós barba. Após a palestra, na fila de cumprimentos lá estava esse colega ao lado do nosso chefe de trabalho, este por sua vez me disse que por eu ter interrompido as férias e salvo a firma com aquela palestra para um importante cliente, que quando eu voltasse de férias seria promovido. Esse mesmo colega que encontrei à tarde estava ao lado do meu chefe; ele veio na minha direção em alto bom som dizendo meu amigo! Bela palestra! Há quanto tempo não te vejo? Bem, respondi desde hoje a tarde por volta das 14:00h na rua tal em frente a loja tal quando eu olhei nos seus olhos e você olhou para mim lhe cumprimentei pelo nome e você foi embora como se não me conhecesse. Outra ocasião aconteceu com a minha esposa. Temos o hábito de fora do ambiente de trabalho andar os mais simples possível, sem chamar a atenção. Certa vez ela com roupas simples e chinelos, entrou em um salão de beleza de alto luxo para comprar um determinado shampoo que só eles vendem. Ela ficou literalmente sendo ignorada na recepção, e o mais curioso é que o salão estava vazio naquele horário. Depois de perceberem que ela não ia embora decidiram atendê-la no melhor estilo cinco pedradas. Ela fez o pedido e a atendente informou que o shampoo custaria oitenta reais e que não parcelavam. Detalhe ela não pediu para parcelar. Minha esposa pediu então dois shampoos e a vendedora alegou que eram muito caros e sugeriu que ela comprasse nas lojas americanas um similar mais barato. Minha esposa olhou para ela e nesse momento pegou a mochila velha, bem desfiada e tira de dentro dela uma carteira de griffe, abre a carteira (nesse dia ela estava com uma grande quantidade de dinheiro para fazer uma série de pagamentos) a atendente quando viu aquela quantidade de dinheiro num instante passou a chamá-la de madame, oferecer café, água, querer dar o cartão com o nome dela, (trocou o tratamento cinco pedras na mão por tratamento vip cinco estrelas)não deixou ela sair da loja sem fazer o cadastro de clientes, que obviamente minha esposa delicadamente dispensou. Isso foi muito, muito feio. Ela simplesmente olhou para a atendente e disse: “aposto que suas melhores clientes não pagam em dinheiro, estão muito bem vestidas, dão muito trabalho, exigem demais e sempre querem parcelar no cartão”. A vendedora sem graça disse bem.. é....verdade. Ela pagou esperou o troco e seguiu para o próximo compromisso. O curioso dessa história toda é que o brasileiro que têm dinheiro faz questão de não demonstrar que têm, faz questão de não chamar atenção para si, evita colunas sociais, evita as redes sociais e quando a usa nunca coloca sua foto verdadeira, não posta foto de nada e quando posta algo é bobagem e sem importância, tem um bom carro, uma boa casa e todo o conforto. Aquele que não têm dinheiro faz questão de se vestir com as melhores roupas sem a necessidade, como se diz no linguajar popular: “usa terno para ir à padaria”. Compra objetos que não pode pagar à vista para impressionar os outros (objetos supérfluos, não são instrumentos de trabalho ou meios de ganhar dinheiro e que vão pagar até três produtos no final de uma dívida de 48 meses ou quatro anos), tenta aparecer a qualquer custo na mídia, posta toda a rotina e todos os bens que têm nas redes sociais, correndo riscos desnecessários só para ficarem bem na “fita”!
Professor Paulo - Monoriginal
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